Quem foi Conrado Wessel

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SÉCULO XIX E O FASCÍNIO DA AMÉRICA PARA OS EUROPEUS


O tempo é o do século XIX, nos idos de 1860. Nessa época, na Europa, especialmente na Alemanha onde o porto de Hamburgo tinha representação e conexão direta com o porto de Buenos Aires, expande-se o interesse pelo novo mundo, a América. 

Entre os que optaram por viver no atraente novo mundo estava August Wessel, integrante de uma família de industriais fabricantes de chapéus em Hamburgo. 

August Wessel veio a ser o avô de Conrado Wessel. Deixou a Alemanha não se sabe exatamente quando mas é possível supor como referência o ano de 1860, pela data de nascimento de seu filho Guilherme, o pai de Conrado.

Ele utilizou-se do dote familiar que lhe cabia, casou-se com Wilhelmine Wille (Guilhermina Wessel) e partiu para a Argentina, onde adquiriu uma estância e se tornou pecuarista, em Concepción del Uruguay, nas proximidades de Buenos Aires.  

Era um período de afirmação da Argentina: em 1853 foi aprovada a Constituição que dá início ao novo país, sob a liderança de Urquiza; o país conhece uma sequência de quase uma década de crescimento e imigração, não obstante atravessar os conflitos  das províncias de Entre Rios e Buenos Aires, de 1853 a 1861, quando Mitre se torna presidente constitucional, sem esquecer a explosão da Guerra do Paraguai, de 1865 a 1870. 

Quando August chegou, Buenos Aires ainda não era a capital da República Argentina, fato ocorrido em 20  desetembro de 1880.  Teve o filho Guilherme Wessel no dia 29 de junho de 1862; teve ainda mais o filho Christian. 



GUILHERME WESSEL, PAI DE CONRADO WESSEL


August encaminhou seu filho Guilherme para estudar em Hamburgo e lá ele se especializou em Física. Seguiu também a Fotografia, um grande atrativo no século XIX, com a qual se entretinha e pela qual desenvolveu o talento para o manuseio de instrumentos e sua técnica.  

Terminados os estudos, Guilherme Wessel conheceu, em Hamburgo, Nicolina, pertencente à rica família Krieger.  Ela era de excelente educação, obtida em renomados institutos de Hamburgo; além do alemão, falava fluentemente francês e tinha muito conhecimento de música e cultura geral. 

Guilherme retornou à Argentina ainda solteiro; casou-se com ela por procuração; o casamento se concretizou no consulado argentino de Hamburgo e no consulado alemão de Buenos Aires, em 03 de março de 1887. Nicolina veio imediatamente depois para a Argentina.  

        Desse casamento, nasceram dois filhos: Georg Walter em 10 de abril de 1888 e Ubaldo Conrado Augusto em 1 de fevereiro de 1891.

        

A VINDA PARA O BRASIL 


Já em 1892 a família mudou-se da Argentina para o Brasil, evitando as conseqüências do envolvimento do avô August numa conturbação político-militar portenha. A família primeiramente morou em Sorocaba, Estado de São Paulo, em fins de 1892 e, no ano seguinte, mudou-se para São Paulo. Guilherme Wessel tornou-se comerciante na área de fotografia e clicheria, estabelecido à Rua Direita, nº 20; além de comerciante, era professor de Matemática no Seminário Episcopal, no bairro da Luz. Dele herdou o filho Ubaldo as qualidades genéticas de pragmatismo, obstinação e ousadia, temperando o seu talento inventor. 


A FORMAÇÃO INICIAL DE CONRADO WESSEL 


Conrado foi estudar, em 1903, na escola da Vila Mariana conhecida como “Escola Alemã”, mantida pela Associação Benjamin Constant. Apreciava muito a Química e por conta dela, a Fotografia. Aos 15 anos de idade, ganhou medalha de ouro na Exposição Agrícola Industrial e na Segunda Exposição Estadual de Animais e Produtos, com trabalhos de fotografia. Desse período não há muitos registros, infelizmente, porque, em virtude da política vigente no período da guerra mundial de 1939 a 1945, muitos documentos relativos à presença germânica no país, desde o século XIX, foram destruídos.  

Em 26 de dezembro de 1908 seu imão Georg faleceu, de tifo. Tornou-se filho único ao qual os pais dedicaram o máximo de atenção. 


ESPECIALIZAÇÃO EM VIENA


Procurando o máximo em instrução, seus pais o encaminharam para a Áustria, em 1911, a fim de ampliar seus conhecimentos e estudar Fotoquímica em Viena, na K.K. Lehr und Versuchs Antstalt. Seguiu para a Europa pelo navio italiano Savoia, no dia 8 de agosto de 1911. Morou em Viena na Rua Neustiftgasse, bem próxima da escola que ficava na Westbanstrasse. Por dois anos especializou-se em clichês para revistas e jornais. No final de seu curso cumpriu um estágio obrigatório na melhor empresa do ramo em Viena, a Beissner & Gottlieb. Em 1913 retornou ao Brasil, com equipamentos de clicheria adquiridos de vários fornecedores, embarcados em Hamburgo e destinados à confecção de clichês para impressos em geral. A viagem de retorno, ao contrário da viagem de ida, não foi por navio italiano. Viajou no Tijucas, um mercante brasileiro, que partiu de Hamburgo no dia 26 de fevereiro de 1913.  

Montou em São Paulo, juntamente com seu pai, uma excelente clicheria, na Rua Lopes de Oliveira. Seu interesse, porém, não era a clicheria, embora fosse um perito no assunto. 


A PESQUISA DA FÓRMULA DO PAPEL FOTOGRÁFICO


Desde seus estudos em Viena, passou a pesquisar obstinadamente uma fórmula nova para obter fotografias. Não lhe bastando os estudos no exterior, ao voltar para São Paulo, conseguiu aprimorar-se tendo aulas como aluno assistente da Escola Politécnica. Lá foi auxiliar de laboratório do Prof. Hottinger. Desenvolveu pesquisas por 4 anos. Conferiu fórmulas, tamanhos, reações, natureza do papel das fotos. Instalou uma oficina num prédio de seu pai, na Rua Lopes de Oliveira, 198, Barra Funda. Enquanto buscava a fórmula, utilizava os equipamentos da oficina; quando os equipamentos não correspondiam ao que lhe interessava, inventava outros. E assim foi. Perdeu muitas resmas de papel bem caro e importado, até conseguir aperfeiçoar sua fórmula. 

Diz ele em anotações à moda de manuscritos: “Fiz inúmeras experiências misturando o nitrato de prata ao brometo de potássio, ao cloreto de sódio e ao iodeto de potássio. Depois de centenas de experiências, cheguei a uma fórmula satisfatória, cujas provas agradaram muito a meu pai”.

Seu processo foi motivo de consulta de seu pai ao escritório do Rio de Janeiro que era especialista em patentes, no ano de 1916. Atendeu à documentação já nesse ano e no ano seguinte estava em condição de iniciar o procedimento. Patenteou seu processo em 1921, no tempo do Presidente Epitácio Pessôa. Esforçou-se muito para conseguir impor-se no mercado vendendo pessoalmente seus cartões-postais no Jardim da Luz para os “lambe-lambe”.


O DOMÍNIO DO MERCADO FOTOGRÁFICO


Em 1924, a revolução chefiada pelo General Isidoro Dias Lopes isolou a cidade de São Paulo. Os produtos importados pelo porto do Rio de Janeiro, especialmente o papel de fotografia estrangeiro, então muito usado, desapareceram da praça. A demanda do papel Wessel explodiu e tomou conta do mercado de São Paulo.Terminada a revolução de 1924, os fotógrafos continuaram a consumir o Papel Wessel, apesar de toda a concorrência dos estrangeiros, porque era efetivamente melhor que todos. 

Procurado para uma fusão de interesses, Conrado Wessel fez uma sociedade com a Kodak, primeiramente vendendo sua produção a partir de 1930 e, depois, em 1949, criando a Fábrica de Papel Fotográfico Kodak-Wessel em São Paulo. Foi diretor da fábrica até 1954, quando transferiu os direitos de inventor definitivamente. Dominou o mercado por décadas. 

Muito parcimonioso, formou seu patrimônio com bens de raiz e sempre demonstrou indiscutível seriedade e lealdade nos seus negócios.


O LEGADO DA FUNDAÇÃO

        

Por testamento de 11 de maio de 1988, criou a Fundação Conrado Wessel, com a finalidade de incentivar a Arte, a Ciência e a Cultura e apoiar com doações anuais 6 entidades.

Faleceu no dia 23 de maio de 1993, já  nos primeiros meses do seu 103° ano de vida.



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